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Lineu Neves Mazano: “O verdadeiro servidor se doa, se entrega, faz o máximo”

  • SISPESP
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  • OUT 2020
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  • 86

Por Comunicação SISPESP

Lineu Neves Mazano, 64 anos, sempre acreditou que seguiria os passos de seus pais na agricultura. A vida, no entanto, o levou para um caminho totalmente diferente, e ele acabou ingressando no serviço público aos 26. Com garra, espírito de equipe e senso crítico, o homem criado em Dracena fez carreira no DER (Departamento de Estradas de Rodagem), identificou-se com o sindicalismo e hoje exerce o honroso cargo de presidente do SISPESP (Sindicato dos Servidores Públicos do Estado de São Paulo).

O líder sindical é um abnegado, como manda a cartilha do bom funcionário público. Para Lineu, “o verdadeiro servidor presta concurso, entra pela porta da frente e se doa, se entrega, faz o máximo”.  Esta entrevista, conduzida pela comunicação do SISPESP, mostra que tal premissa foi seguida à risca pelo presidente do sindicato em seus 37 anos de carreira.

Letícia Longo/SISPESP

 

Como foi a sua infância em Dracena?

Nossa vida é uma história de muitos capítulos. Quando eu nasci, meus pais trabalhavam na agricultura. Durante meu tempo de criança, adolescente e jovem, até casar, eu estive na agricultura. Eu tinha o sonho de ser um agricultor forte, produzir em grandes quantidades. Mas, por intempéries na agricultura, eu bruscamente mudei de posição e fui trabalhar na cidade. Imediatamente, fui convidado para fazer um concurso de entrada no serviço público. Então, meu primeiro trabalho após a vida na agricultura foi no serviço público. Isso ocorreu em setembro de 1982. A partir dali, passei a ser servidor, com muito orgulho.

 

Em qual órgão o Sr. começou a trabalhar?

Foi no DER (Departamento de Estradas de Rodagem). Estava contratado em regime precário. Em 1990, fiz concurso público para me tornar um servidor efetivo. Passei. Todo meu trabalho no serviço público foi de grande valia. Eu falo “foi” porque hoje estou aposentado, mas trabalhei quase 37 anos no DER.

 

Conte um pouco mais sobre os concursos que fez.

Eu fiz o primeiro concurso para um processo de seleção em uma frente de trabalho. Com o advindo da Constituição Federal de 1988, como já tinha mais de cinco anos no serviço público, fui considerado estável. Era um concurso para feitor de turmas, ou seja, cuidar de trabalhadores. Depois, em 1990, fui convidado a fazer um concurso para ser motorista oficial do Estado. Passei e, a partir daí, assumi cargos de confiança. Neste período, quando criamos o sindicato, eu compartilhei minhas ações com a atividade sindical por muitos anos, até que tive o afastamento para o exercício sindical direto. Não fiz outros concursos, não tive outros interesses. Eu me senti bem na administração pública. É o que me faz feliz até hoje.

 

Como vê o atual momento do funcionalismo?

Para aqueles que estão ingressando, parece-me que tem muito pouco. O servidor trabalha com dedicação, dá a sua vida, vive mais no serviço público do que no seu lar. Mas hoje nós somos desrespeitados, os aposentados e os que estão em atividade. Temos sido colocados como se fôssemos o problema do país. Hoje não há motivação, salvo uma ou outra exceção. Por isso, homenageamos o servidor que se mantém firme no propósito de servir.

 

O que o Sr. considera apaixonante no serviço público?

O servidor público executa a atividade do Estado. A razão de existência do Estado é servir a sociedade. É aí que o servidor alcança o seu valor. Ele encontra seu objetivo, que é realizar o papel do Estado em sua plenitude. Quando você fica doente e vai ao hospital, quando nasce uma criança, quando o aluno vai à escola, quando alguém procura segurança, tudo passa pela mão do servidor público. É algo que traz um valor, encarrega o servidor de responsabilidade, mas ao mesmo tempo traz prazer.

 

Quando o sindicalismo começou a te atrair?

Ao acompanhar o debate nacional da Assembleia Constituinte, eu vi que havia muito abuso com os servidores. A partir do momento em que foi conquistado o direito de sindicalização dos servidores, a gente começou a trabalhar para que fossemos representados. Em 1990, fundamos o sindicato do DER, e eu fui pioneiro. Sempre estive na luta em defesa dos interesses dos servidores e da qualidade do serviço público. Sempre com prazer em servir. O verdadeiro servidor público presta concurso, entra pela porta da frente e assume um compromisso. Mesmo sem um salário digno —o poder executivo geralmente não paga um salário digno —, o verdadeiro servidor se doa, se entrega, faz o máximo. Seja na Saúde, Educação, Transporte, Segurança, Meio Ambiente, qualquer área.

 

Qual o dia mais inesquecível de sua carreira?

Se eu falar para você... Houve o rompimento de uma barragem de uma empresa grande, e ela trouxe uma quantidade enorme de entulho para a beira do aterro e entupiu a passagem de água debaixo da estrada. E tinha um tubo de ferro. Nós, os peões, entrávamos por 50 metros de tubo para atravessar um vergalhão com um gancho. Eu coloquei minha vida totalmente em risco. A água estava subindo e podia estourar a pista, mas era preciso desentupir a passagem. Éramos em 20, 30 homens, só 2 ou 3 tiveram coragem. Eu era feitor de turma e disse: “Eu vou fazer”. A gente levava um vergalhão grande e furava, furava, furava até sair do outro lado. Outra pessoa mergulhava e ia lá puxar o vergalhão, um ferro de 3/8. Na ponta, a gente atravessava um pau, amarrava no trator esteira e puxava. E, assim, desentupimos. Foi numa Sexta-Feira Santa. Nunca vou me esquecer.

 

Para finalizar, fale um pouco das amizades que fez em toda sua carreira, presidente.

Olha, uma das coisas mais ricas que eu encontrei no meu tempo de serviço público foram as amizades. Eu tenho amizades que foram construídas e se mantêm até hoje. Tem amigos que sumiram, muitos faleceram, mas há uma saudade muito grande. No DER, onde trabalhei, uma coisa que sempre existiu foi o companheirismo. A convivência, o compartilhamento de dificuldades, a soma de vivência conjunta construíram um valor de um para o outro. Isso impulsionava todo o mundo a estar junto, a trabalhar todo dia, a cumprir sua função.

 

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